O rápido aumento no número de casos de coronavírus na China e fora dela – conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), já são 29 países além do território chinês – acende o sinal de alerta na comunidade internacional, que já se preocupa com uma possível declaração de pandemia. Entretanto, a OMS tranquiliza a população e afirma que ainda é cedo para usar o termo.

— No momento, não estamos testemunhando uma disseminação mundial sem controle. Esse vírus tem potencial pandêmico? Absolutamente, mas usar a palavra pandemia agora não se encaixa nos fatos. Isso pode causar medo. Este não é o momento de focar em qual palavra vamos usar. Isso não vai prevenir uma única infecção hoje ou salvar uma única vida — garantiu o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante conferência para imprensa na segunda-feira (24).

Para se ter uma pandemia, explica Nancy Bellei, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é preciso que se tenha uma disseminação por vários países, em vários continentes e com transmissão local. O termo “pandemia” se aplica a doenças infecciosas ou não e graves ou não, completa Renato Grinbaum, médico consultor da SBI.

— Epidemia é a ocorrência de casos de doença, infecciosa ou não (pode ocorrer contaminação por químicos, por exemplo), superior à quantidade de casos que ocorrem normalmente. Já a pandemia, é quando se tem epidemia em vários países do mundo. As pessoas associam com doenças graves, mas não é necessariamente — fala Grinbaum.


Mudanças

Alterar o status do vírus para pandemia acarretaria uma série de mudanças nas intervenções feitas até o momento, conforme Nancy. Por exemplo: as barreiras internacionais e exigências de quarentena feitas por algumas nações cairiam por terra, uma vez que o vírus estaria disseminado. A partir daí, o foco seria na orientação da população e no cuidado com os doentes.

—As medidas de contenção não fariam mais sentido. O objetivo passaria a ser diminuir a mortalidade. Essa fase de contenção, tentando segurar a pandemia, vai até certo ponto. Por outro lado, gera insegurança e medidas sem eficácia que acabam trazendo consequências para outras áreas, como a economia, política e social — opina Nancy.

— Nós provavelmente já estamos em uma situação pandêmica. Entendo que não queiram antecipar (a mudança de status), mas não devem postergar porque acaba gerando mais medidas inadequadas. Talvez fosse o momento para essa declaração, para que pudéssemos ir para a otimização das orientações — conclui a pesquisadora.

Em contrapartida, Grinbaum defende que, de acordo com as informações atuais, a situação é típica de uma epidemia com vírus de alta transmissibilidade, mas cuja gravidade não é tão alta, sendo semelhante a outros problemas respiratórios.

— Ele não tem mortalidade alta. Os números mostram de 1% a 2% (de mortalidade) concentrada em idosos e pessoas doentes, o que é compatível com outras doenças respiratórias. Se ele fosse agressivo como o ebola, já teria sido declarada a pandemia. É um momento de cautela, mas os números não são catastróficos. Seriam se tivéssemos jovens morrendo e em quantidade maior — tranquiliza o médico.

Conforme o último relatório da OMS, divulgado na segunda-feira, os casos de coronavírus somam 79.331. Desses, 77.262 são na China, que contabiliza 2.595 mortes ao todo. Fora do território chinês, são 2.069 casos em 29 países e 23 mortes confirmadas.

Um caso recente de pandemia aconteceu em 2009, quando o H1N1 se disseminou pelo mundo.

*Zerohora

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