Após prisão de Daniel Silveira, deputados investigados mantêm ataques ao Supremo

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A prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) por apologia ao Ato Institucional 5 (AI-5), o mais violento ato da ditadura militar, e discurso de ódio contra os integrantes do Supremo Tribunal Federal, não inibiu parlamentares investigados no mesmo inquérito de manter ataques à Corte. Dos demais nove alvos, ao menos cinco saíram em defesa do colega com críticas aos magistrados. Todos eles são fiéis aliados ao governo de Jair Bolsonaro.

Um dos mais exaltados tem sido o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), que desde a prisão de Silveira, na noite de terça-feira, 16, tem feito ataques ao ministro Alexandre de Moraes, autor da ordem de prisão, a quem chama de “déspota”. Ele chegou a convocar “movimentos populares de direita” para irem às ruas contra a “ditadura da toga”. A mobilização não empolgou seus 133 mil seguidores. Apenas dez haviam reproduzido a hashtag lançada pelo parlamentar até a tarde desta quinta-feira (18).

Conhecida por seu estilo beligerante na Câmara, a deputada Alê Silva (PSL-MG) foi irônica ao criticar o presidente do Supremo, Luiz Fux, por não saber o sobrenome de Silveira ao proferir a decisão do plenário que confirmou a prisão na sessão de quinta.

“Com todo o respeito aos excelentíssimos, senhores, doutores, salve, salve ministros do Supremo, mas nem saber o nome de quem está sendo julgado é o fim da picada!”, postou a parlamentar.

Alê, Otoni e Silveira são investigados no inquérito aberto pela Procuradoria-Geral da República para investigar a organização e o financiamento de atos antidemocráticos. A apuração foi aberta depois que manifestações em defesa da volta da ditadura militar, intervenção das Forças Armadas e ataques às instituições democráticas marcaram as comemorações pelo Dia do Exército em diferentes cidades do País, no dia 19 de abril do ano passado. Bolsonaro participou de um dos atos em Brasília.

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Alguns dos parlamentares investigados, no entanto, adotaram um tom mais moderado ao tratar do caso. Foi o caso de Carla Zambelli (PSL-SP), que optou por reproduzir comentários com críticas à decisão de Moraes.

Já a deputada Bia Kicis (PSL-DF), indicada para comandar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a principal da Câmara, manteve o silêncio sobre a prisão do aliado. Presença constante em manifestações contra o Supremo, ela tem sofrido resistência de líderes de partidos pelo seu estilo radical. Em entrevista ao Estadão/Broadcast no mês passado, Kicis refutou o rótulo e disse ser uma pessoa do diálogo. Na mesma ocasião, disse que, uma vez confirmada na CCJ, colocará em votação um projeto para barrar o que chama de “ativismo judicial”.

No clã Bolsonaro, o único a sair em defesa de Silveira foi o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho “Zero Três” do presidente. “Dentre outros fatores, amanhã votarei pela libertação”, escreveu ontem no Twitter. Ele justificou a decisão “em nome das garantias da imunidade parlamentar, liberdade de expressão, devido processo legal, ampla defesa e contraditório”. Eduardo não é investigado no inquérito dos atos antidemocráticos.

Veja o que cada um dos investigados no inquérito dos atos antidemocráticos falou sobre a prisão de Daniel Silveira:

Cabo Junio de Amaral (PSL-MG) – “Ser leniente e fazer o que o STF exige é o melhor habeas corpus preventivo para político. Corruptos soltos e Daniel preso. Por isso a gente não consegue tirar nenhum criminoso da corte, nem sequer criar uma CPMI sobre seus feitos. #STFVergonhaMundial”

Carla Zambelli (PSL-SP) – “Nós parlamentares, estamos aguardando o chamamento para a sessão plenária da Câmara dos Deputados. Confio na liderança do nosso presidente @ArthurLira_”

Caroline de Toni (PSL-SC) – “A Ordem Constitucional se apequena com a prisão de ontem. Determinar a prisão de um deputado por crime de opinião é um desrespeito direto à Constituição, uma vez que os parlamentares têm imunidade material, sendo invioláveis por suas opiniões, palavras e votos (art.53, CF).”

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Alê Silva (PSL-MG) – “Com todo o respeito aos excelentíssimos, senhores, doutores, salve, salve ministros do supremo, mas nem saber o nome de quem está sendo julgado é o fim da picada!”

General Girão (PSL-RN) – “Aguardamos tb o posicionamento do @rpsenador, Presid Congresso. Essa decisão do Alexandre Morais, foi mais uma agressão a um congressista. Ou reagimos agora, ou vão nos calar. Não se trata de briga de casal, ou DireitaXEsquerda. É um ato para calar o Poder que representa o Povo”

Guiga Peixoto (PSL-SP) – “O Parlamento deverá julgar a prisão do Deputado @danielPMERJ. Fico triste pela desarmonia dos três poderes, e gosto de ressaltar: o poder SEMPRE emana do povo”

Aline Sleutjes (PSL-PR) – “A ditadura chegou.Prender a um Dep. federal,rasgaram a constituição,suas prerrogativas e a liberdade de expressão.Precisamos enquanto instituição tomar providências. LEGISLATIVO,EXECUTIVO E JUDICIÁRIO SÃO IGUAIS, SUPREMO É O POVO. Hoje é o @danielPMERJ, amanhã pode ser um de nós.”

Otoni de Paula (PSC-RJ) – “Já comecei a fazer contato com os movimentos populares de direita. Temos que ir para as ruas. Não dá mais pra ficar sem por os pés no asfalto. Eles só temem as ruas. MARCHA PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO E CONTRA A DITADURA DA TOGA. #NasRuasContraDitaduradaToga”

*Osul

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