Especialistas alertam para a possibilidade de nova cepa estar acometendo mais os jovens

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Na transmissão ao vivo que trouxe a bandeira preta de volta à parte do RS, na sexta-feira (19), o governador Eduardo Leite chamou atenção dos gaúchos para a mudança no perfil dos pacientes que estão necessitando de internação hospitalar. Pessoas que não apresentam comorbidades e de faixas etárias mais jovens estariam precisando mais de cuidados nas instituições de saúde.

 -Não temos condições de afirmar o que está causando isso, mas é uma realidade, está ocorrendo no Estado um aumento de internações e de ocupação dos leitos muito rapidamente, e que tem significado internações de pessoas sem comorbidades e que estavam fora da faixa de risco clássica, de pessoas com mais de 60 anos  -afirmou o governador.

Em nota publicada pelo governo do RS também na sexta feira, o órgão afirmou que os hospitais gaúchos têm observado o aumento de internações de jovens e de pessoas que não tem comorbidades ou pertencentes aos grupos de risco. Uma das hipóteses aventadas por especialistas é a de que o aumento da manifestação da doença, na sua forma moderada ou grave, entre faixas etárias mais jovens esteja relacionado ao fato de que esta tende a respeitar menos as medidas sanitárias.

– Até o momento, acredita-se que os idosos e os sujeitos com comorbidades são aqueles que vão desenvolver formas graves da doença, mas essa parcela da população ainda respeita bastante as medidas de isolamento. É muito incomum encontrar aglomerações de idosos, diferente dos jovens. Haverá uma parcela maior de jovens que desenvolverão formas graves da doenças por causa de seu comportamento de aglomeração – destaca André Luiz Machado, infectologista do Hospital Nossa Senhora da Conceição.

Aliada à maior exposição, especialistas têm alertado também para a possibilidade de a nova variante do coronavírus, a P1, ser mais letal:

– Talvez as internações de pessoas mais jovens estejam aumentando porque eles estão sendo acometidos por outras cepas, como a variante manauara, que já circula no RS. Sabe-se que ela é mais transmissível, e, embora ainda não haja comprovação científica, relatos e experiências profissionais recentes têm demonstrado que ela pode ser mais letal, causando doença mais grave -conclui André.

Durante o anúncio de sexta-feira, Leite apresentou à população dados das semanas epidemiológicas 47 a 53 de 2020 (de 15 de novembro de 2020 a 2 de janeiro de 2021), nas quais 27,19% dos pacientes internados do Estado não apresentavam comorbidades. O número cresceu entre as semanas epidemiológicas 5 a 7 (de 31 de janeiro a 20 de fevereiro), e agora é de 31,70%. Em Porto Alegre, o salto foi ainda maior no mesmo período. O índice de hospitalizações de pacientes sem comorbidades que era de 21,41% passou para 30,09%. O governo chamou atenção também para o a situação no município de Taquara, na Região Metropolitana, onde o percentual de 20,19% cresceu para 52,63% nos mesmos períodos epidemiológicos.

*GauchaZH

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